Drauzio Varella condena assédio na medicina e diz que faculdades têm preparado ‘bons técnicos, mas não bons médicos’

Em entrevista a Natuza Nery, G1, médico fala sobre cultura de violência e abuso que tem interferido na formação de futuros profissionais e defende treinamento ético para estudantes ‘no instante em que colocarem os pés nas faculdades’.

Imagens de atos obscenos cometidos por estudantes de medicina que viralizaram nesta semana levantaram um alerta para a sociedade e a comunidade médica.

Entre casos que vão da violência nos trotes das faculdades a crimes como o estupro em uma sala de parto, há uma cultura de abuso que tem interferido na formação de futuros profissionais da saúde.

“Se você tem uma profissão que dá acesso à intimidade dos outros, você tem que ter responsabilidade em relação a ela”, condena o médico Drauzio Varella em entrevista a Natuza Nery. [Alunos de medicina] Deviam começar a receber aulas de comportamento ético desde o instante em que pusessem o pé na faculdade.”

O Conselho Federal de Medicina lançou o Código de Ética Médica para estudantes somente em 2018. Com mais de 50 anos na medicina, Drauzio diz ainda que as instituições podem estar preparando bons técnicos, mas não bons médicos.

“A arte da medicina é justamente como você vai usar o seu preparo técnico para aliviar o sofrimento daquela pessoa…E, para isso, abrange um território muito mais amplo, que é o território da alma humana.”

Nesta semana, estudantes do curso de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) ficaram pelados e simularam uma masturbação durante um jogo de vôlei feminino de um campeonato universitário.

Nas redes sociais, os vídeos foram compartilhados afirmando que os estudantes simularam uma masturbação coletiva no campeonato Intermed, que ocorreu no último final de semana.

A Unisa (Universidade Santo Amaro) anunciou que expulsou os alunos de medicina da instituição que exibiram as partes íntimas durante uma partida de vôlei feminino. A instituição informou que a expulsão vale para todos os estudantes “identificados até o momento”, mas não divulgou quantos foram alvos da medida.

Nesta terça-feira (19), o ministro da Educação, Camilo Santana, disse que os alunos de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) que praticaram atos obscenos durante jogos universitários  devem responder legalmente sobre o caso.