O senador Jaques Wagner (PT) admitiu que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), pode ser candidato nas eleições de 2022 para manter a unidade do grupo político

O senador Jaques Wagner (PT) admitiu que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), pode ser candidato nas eleições de 2022 para manter a unidade do grupo político. Wagner não deixou claro, entretanto, de que forma se daria a chapa governista, se ele desistiria de disputar o Palácio de Ondina ou se haveria espaço para dois petistas na majoritária. 

“Eu acho que é um direito dele. Evidentemente, é uma decisão muito pessoal. Já conversei várias vezes com ele sobre o tema. Até a última conversa, que tive com ele em Barreiras na segunda-feira, ele me disse que quer cumprir o mandato popular que o povo lhe concedeu. Então, não pretende se afastar. Óbvio que pode ser um movimento (Rui Costa ser candidato) a ser feito pelo grupo se isso representar um atendimento maior, exatamente a unidade do grupo. O que eu ouço é que ele não quer sair do governo até 31 de dezembro de 2022, quando acaba seu mandato. Eu fiz a mesma coisa e não me arrependo de jeito nenhum. Acho que ajudei a manter o grupo unido”, declarou anteontem Wagner, que é pré-candidato ao governo da Bahia, em entrevista à rádio Salvador FM. 

Nesta semana, em entrevista à rádio Metrópole, Rui não descartou a possibilidade de ser candidato ao Senado, como se especula. “Essa é uma decisão que não tomarei sozinho. Terei que dialogar com nosso grupo político”, afirmou o governador. Da base governista, o senador Angelo Coronel (PSD) defendeu, em entrevista à Tribuna, que a majoritária seja formada por Otto Alencar (PSD) e Rui Costa, como postulantes a governador da Bahia e senador, respectivamente. O vice-governador seria indicado pelo PP. Para ele, seria a composição ideal para manter o grupo político unido. 

A proposta de Coronel, no entanto, frustraria a intenção do senador Jaques Wagner de morar, pela terceira vez, no Palácio de Ondina. “A companhia de Wagner é agradável, e eu não quero deixar de tê-la todas as semanas nas idas e voltas para Brasília, já que ele ainda tem seis anos de mandato. Além disso, (a proposta) contemplaria todo mundo porque ficaria todo mundo com mandato. Manterá o tripé, dos três maiores partidos, e a união ficará totalmente consolidada. Caso isso não aconteça, pode ser que haja fissura no futuro”, ressaltou Coronel. 

O PP é o principal partido interessado para que o chefe do Palácio de Ondina renuncie ao posto. O desejo dos progressistas é que vice-governador João Leão assuma o posto, e feche a carreira política com “chave de outro”. Segundo membros da legenda, o partido até abriria mão de uma vaga na composição para Leão assumir o Palácio de Ondina. O deputado federal Cacá Leão, que é o filho do vice, confirmou o desejo do partido. “Isso foi conversado em um almoço e é conversado em todo canto. A política  ferve por essa questão. O movimento do governador talvez seja o mais importante para 2022. Claro que a gente deseja. Não escondo de ninguém. É o nosso desejo, até pela importância do nome do governador”, falou, em entrevista ao programa “Política na Mesa”, da TV Câmara Salvador. 

Tribuna da Bahia