Com novas variantes, a meta é acelerar a imunização total da população. Decisão deve ser tomada nesta quinta-feira pela CIB

O prazo entre a primeira e a segunda dose para os imunizantes contra a covid-19 distribuídos pelo Ministério da Saúde pode ser menor. Nesta quinta-feira (15), o titular da Sesab Fábio Vilas-Boas se reunirá com os representantes da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) para viabilizar a redução da janela do ciclo de imunização. Se for aprovada, a CoronaVac terá 21 dias separando as duas doses, ao invés de 28; para a vacina Oxford/AstraZeneca, o prazo para completar o esquema vacinal cairá de três meses para nove semanas. 

A decisão é impulsionada pela circulação de mais variantes no Brasil, em especial a Delta, encontrada originalmente na Índia; com intervalos menores entre as doses, mais baianos estarão protegidos da covid. “Nós precisamos acelerar a vacinação e manter as medidas restritivas, para fazer com que a variante Delta chegue o mais tarde possível”, afirmou Vilas-Boas.

O secretário negou a possibilidade de desabastecimento de doses, pois as remessas distribuídas pelo MS são previstas para as duas etapas do ciclo; disse, ainda, que mais imunizantes devem chegar ainda nesta semana à Bahia.

Em nota, a Sesab diz não haver circulação da variante Delta na Bahia. Segundo a última edição do boletim de sequenciamento divulgado pelo Laboratório Central de Saúde Pública Profº Gonçalo Moniz (Lacen-BA), 23 linhagens do novo coronavírus circulam em todo o Estado; a variante Gamma, antiga P.1 descoberta em Manaus, continua como líder absoluta das infecções, representando cerca de 80% dos casos confirmados. Também não circula na Bahia a variante Beta, encontrada inicialmente na África do Sul.

Até agora, foram sequenciadas 368 amostras em mais de cem municípios baianos. “A variante Gamma e a do Reino Unido (Alfa) ainda são as predominantes no mapeamento genético que fazemos, que é essencial para o planejamento e definição de ações na área da Vigilância Epidemiológica do Estado”, disse Arabela Leal, diretora do Lacen-BA. Às 16h, o ‘vacinômetro’ atualizado pela Sesab mostrou que Bahia está quase alcançando a marca de 2 milhões de cidadãos totalmente imunizados: 1.996.082 pessoas receberam as duas doses contra a covid-19. Enquanto isso, 217.955 baianos receberam o imunizante da Janssen, de dose única.

O infectologista Antonio Bandeira alertou para as características da variante Delta em relação às outras já circulantes, por conta da maior transmissibilidade e uma resistência aparentemente maior aos anticorpos, além de aumentar o risco de reinfecções pelo vírus. “A grande certeza é de que a Delta consegue ser mais transmissível do que as variantes Alfa, Beta e Gamma, devido aos relatos de sintomas mais leves e uma possível evolução não acompanhada para sintomas mais graves, com a necessidade de internação. Isso porque existe uma demora do paciente perceber que está doente, ocasionando a demora no diagnóstico”, explicou. Segundo o especialista, embora o mecanismo não seja uma exclusividade da variante Delta, a sutileza dos sintomas acaba dificultando o isolamento e o controle da doença. Ainda assim, as vacinas continuam efetivas para afastar o risco de hospitalização e óbito. “Cada vez se torna mais importante o esquema vacinal completo, por isso é necessário acelerar a segunda dose”, concluiu.

Tribuna da Bahia