Por: Licio Ferreira

“Não existe segurança contra o coronavirus no Brasil. Os vôos internacionais estão chegando com a tripulação sem usar máscaras, mesmo com chineses a bordo entre os demais passageiros. As pessoas não são orientadas a usarem as máscaras como proteção e não houve avisos sonoros em português, apenas em inglês, e só no final do desembarque. Viajei todo tempo usando máscaras, mas percebi que havia uma total desinformação sobre o vírus e alguns poucos brasileiros estavam utilizando o equipamento de proteção”.

Esse desabafo – repleto de preocupações humanas – é da jornalista baiana Lívia Veiga, que acaba de retornar a Salvador de uma viagem de férias à Amsterdam, na Holanda. Á Tribuna da Bahia ela revelou outros detalhes das fragilidades que percebeu no seu périplo e no retorno ao Brasil. “Fui visitar a família no interior da Suécia e retornei por Amsterdam. Passei na volta pelo aeroporto de Copenhagen e vi poucas pessoas usando máscaras. Viajei em 22 de janeiro e retornei no último domingo, dia 2 de fevereiro. Usei máscara todo o tempo da viagem e as pessoas estranhavam isso. Nenhum comissário utilizava máscara dentro dos aviões”.

FALTA DE SEGURANÇA

A jornalista disse, ainda, que passou por Guarulhos e teve um contato com um atendente da Gol. “O funcionário disse que a empresa não lhe deu máscaras e que aquela que estava usando foi oferecida por uma colega da Azul que comprou e distribuiu ao grupo”. Sobre as informações que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem orientado, a jornalista Lívia Veiga disse que na sua chegada, “falaram no avião (em inglês) para lavarmos as mãos. No aeroporto eu não percebi qualquer sinal sonoro. Só no avião. Falaram também pra quem vinha da China, pra se identificar às autoridades brasileiras. Mas o que me impressionou foi a falta de segurança de quem trabalha em aviões e aeroportos”.

Sempre preocupada com o próximo – hábito pessoal – Lívia Veiga disse: “Tive o maior cuidado em me proteger com as máscaras adequadas. Aquelas que possuem filtro de ar. Mas e quem trabalha? E os demais passageiros? Tinha muito brasileiro no vôo de volta de Amsterdam sem máscara no avião e nos aeroportos. Circulamos em aeroportos internacionais. Quando falei com o atendente da Gol, que ele precisava das máscaras sempre, ele ficou cabisbaixo e disse que só naquele dia tinha atendido passageiros de um avião, vindo de países asiáticos. Estava segura, mas fiquei muito triste pelos outros”.

AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES

A jornalista Livia Veiga – que hoje está se dedicando aos estudos do Mestrado -, fez esse relato porque gostaria que todos tivessem informações completas sobre esse vírus tão perigoso. “Quem não tinha informação estava em risco. E isso é muito triste”, adiantou. Por justiça, ratificou: “No aeroporto de Salvador tinha informação nos monitores, escrita, com orientações sobre prevenção de segurança, inclusive na sala de embarque. Mas, em São Paulo, eu não vi nada. E fora do país, também não”.

Para evitar a propagação do vírus, em Salvador, mesmo não haja vôos diretos entre a China ou qualquer outro país da Ásia, a Salvador Bahia Airport informou o seguinte através de nota: “Estamos seguindo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no que tange ao monitoramento do Coronavírus no país. Neste sentido, desde o último dia 27 estão sendo veiculados avisos sonoros nos desembarques internacional e doméstico”.

A nota oficial diz ainda que: “A concessionária reforçou informações de prevenção e controle aos funcionários do Aeroporto, especialmente aqueles que lidam diretamente com os passageiros”. E que já iniciou “a instalação de ‘dispensers’ de álcool em gel em diversos pontos, como canais de inspeção, áreas de imigração no desembarque internacional, praça de alimentação e área administrativa, bem como nas saídas dos sanitários do Píer Sul, onde ocorrem os vôos internacionais”.

AVISOS DA ANVISA

Os avisos sonoros orientados pela Anvisa são veiculados a cada 2 horas ou quando há desembarque internacional. O aviso procura alertar os passageiros para providências em casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Esses avisos sonoros são transmitidos apenas nas áreas de desembarque, tanto doméstica quanto internacional. Um deles informa: “Se você tiver febre, tosse ou dificuldade para respirar dentro de um período de até 14 dias após a viagem para a China, você deve procurar uma unidade de saúde mais próxima e informar a respeito da viagem”.

Na lista dos aeroportos brasileiros com o comunicado sonoro estão: Salvador, São Paulo (Guarulhos e Congonhas), Rio de Janeiro (Santos Dumont e Galeão), Curitiba, Brasília, Campina Grande, Recife, Porto Alegre, Fortaleza, Vitória, Londrina, Belo Horizonte, Manaus, Belém, Florianópolis, Campo Grande, Foz do Iguaçu, dentre outros. Essas providências fazem parte de protocolos internacionais acionados em casos de velhas e novas ameaças à saúde pública.

Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda sempre a todos: “Limpar as mãos com água e sabão ou álcool em gel; cobrir o nariz e a boca quando tossir ou espirrar e jogar o lenço fora; evitar contato próximo com pessoas com febre ou tosse. Quem tiver esses sintomas do coronavirus e também dificuldade para respirar deve procurar o médico e dizer para onde viajou”.Cumprir essas orientações evita a propagação desse mal que veio de Wuhan, na China.

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